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Mattias Desmet: a descida do Ocidente para o totalitarismo

Análise Libertária

A sociedade ocidental está a deslizar para um novo tipo de totalitarismo, mais subtil mas igualmente opressivo que os regimes do século XX. Mattias Desmet, psicólogo clínico, descreve este fenómeno como uma formação de massas onde as pessoas adotam narrativas sem qualquer evidência empírica. A crise da COVID-19 serviu de catalisador para este ambiente sufocante, expondo a fragilidade das instituições democráticas. O comportamento coletivo irracional tornou-se a norma, com a população a perder a capacidade de questionar as ordens vindas de cima. Este processo não é acidental, mas sim o resultado de uma manipulação sistemática das emoções humanas.

O totalitarismo moderno não se parece com o clássico, de botas e tanques nas ruas, mas assume a forma de uma tecnocracia impessoal. Desmet explica que um grupo específico impõe uma ideologia à população através de mecanismos de controlo social, onde as pessoas denunciam umas às outras ao estado. A formação de massas leva os indivíduos a perderem a solidariedade com ideais coletivos e a adotarem comportamentos de vigilância mútua. Este padrão repete o que se via em regimes totalitários históricos, onde crianças denunciavam os próprios pais às autoridades. A raiva emerge como motor principal destas dinâmicas, canalizada contra alvos escolhidos pelas elites.

A falta de significado na sociedade moderna cria um terreno fértil para esta manipulação, com cerca de 60% das pessoas a considerarem o seu trabalho sem sentido. Desmet cunha o termo ansiedade flutuante para descrever a angústia sem objeto específico que domina o quotidiano. As elites aproveitam esta ansiedade difusa e associam-na a narrativas específicas, criando alvos para o medo coletivo. A propaganda moderna baseia-se na premissa de que o ser humano não é racional, mas sim profundamente irracional e sugestionável. A repetição constante de mensagens cria crenças que ignoram completamente os factos objetivos.

A democracia está a ser manipulada através da ênfase no indivíduo isolado, criando uma falsa dicotomia entre o indivíduo e o grupo. Desmet argumenta que a verdadeira democracia protege minorias, mas a manipulação atual instrumentaliza a raiva massiva para controlar a população. A soberania foi transferida para especialistas e tecnocratas, minando qualquer vestígio de autogoverno. Esta visão mecanicista da sociedade trata as pessoas como meras engrenagens de uma máquina estatal. O resultado é a perda de contacto com a realidade, onde as narrativas oficiais substituem a experiência concreta.

A história da propaganda, desde a Guerra da Crimeia até ao século XX, mostra como os estereótipos simplistas são usados para mobilizar massas. Desmet traça este padrão até aos dias de hoje, com a criação de inimigos e narrativas de bem contra mal. As identidades nacionais foram artificialmente criadas através de propaganda, e o mesmo processo repete-se agora com novas clivagens sociais. A classe de especialistas está comprada e alinhada com o poder, impedindo qualquer pensamento crítico genuíno. As guerras atuais são apresentadas como não provocadas, mas a propaganda serve para justificar a agressão estatal.

A psicologia do totalitarismo revela o papel de um agente anti-estado que mina a sociedade por dentro, segundo Desmet. O artigo notável que cita contrasta a atitude das pessoas verdadeiramente religiosas com os que não são verdadeiros cientistas. A ciência e a filosofia foram distorcidas para servir interesses de poder, transformando o conhecimento em ferramenta de controlo. Este processo não é novo, mas a sua escala e velocidade são inéditas na era digital. A perda de pensamento crítico é o objetivo final, pois uma população que não questiona é facilmente governável.

A inflação de narrativas acompanha a inflação monetária, ambas alimentadas pelo mesmo estado que se diz defensor da estabilidade. Os impostos são confisco, a regulação distorce preços e o cálculo económico, e o mercado livre é a única ordem espontânea que coordena preferências individuais. A intervenção estatal nunca é neutra ou positiva, como a perspetiva keynesiana erradamente defende. A manipulação das taxas de juro pelos bancos centrais cria ciclos económicos artificiais que destroem poupanças e investimentos. A propriedade privada é a base da liberdade, e sem ela não há resistência possível ao totalitarismo.

A saída deste ciclo de manipulação exige um regresso ao pensamento crítico e à responsabilidade individual. Desmet conclui que é essencial acolher diferentes opiniões e resistir à pressão para a conformidade. A história mostra que os regimes totalitários caem quando as pessoas recuperam a capacidade de dizer não. O Ocidente ainda tem tempo para inverter esta descida, mas o relógio está a contar. A liberdade não é um dado adquirido, mas sim uma conquista que exige vigilância constante contra todos os que querem transformar cidadãos em engrenagens.

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  • O trabalhador que se sente sufocado pelas regras e narrativas impostasvai perceber que a ansiedade que sente tem uma origem política e não pessoal
  • O estudante de ciências sociais que ainda acredita na neutralidade da academiavai descobrir como a propaganda e a tecnocracia distorcem o pensamento crítico
  • O cidadão que denunciou colegas ou vizinhos por opiniões divergentesvai reconhecer o padrão de formação de massas e a perda de solidariedade que isso gera

Propaganda da Irracionalidade - O Estado e os media partem do princípio de que o ser humano é irracional, repetindo narrativas até que sejam aceites como verdade, ignorando factos objetivos, como Desmet descreve a história da propaganda desde a Guerra da Crimeia até à COVID-19.
Criação de Inimigos e Estereótipos - O Estado fabrica identidades simplistas de "bem contra mal", mobilizando as massas através de inimigos fictícios, tal como os estereótipos nacionais criados durante a Guerra da Crimeia e replicados hoje para justificar guerras "não provocadas".
Manipulação da Ansiedade Flutuante - As elites exploram a ansiedade sem objeto específico que domina a sociedade moderna (60% das pessoas consideram o trabalho sem sentido), associando-a a narrativas fabricadas que canalizam o medo coletivo para alvos convenientes ao poder.

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